LETRAMENTO SOCIAL
Jaci E.S.Nunes
Prof. Aírton Júlio
Reiter
Centro universitário
Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Curso Normal Superior
- Séries Iniciais (NDF-0081)
Fundamentos da Linguistica.
24/11/06
RESUMO
A
alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo.
Enquanto o letramento focaliza os
aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade,
e ainda, é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas
cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita.
Palavras-chave: Letramento;
Alfabetização; Escola.
1 INTRODUÇÃO
A entrada da pessoa no
mundo da escrita se dá pela aprendizagem de toda a complexa tecnologia
envolvida no aprendizado do ato de ler e escrever. Além disso, o aluno precisa
saber fazer uso e envolver-se nas atividades de leitura e escrita. Ou seja,
para entrar nesse universo do letramento, ele precisa apropriar-se do hábito de
buscar um jornal para ler, uma revista, freqüentar livrarias, e com esse
convívio efetivo com a leitura, apropriar-se do sistema de escrita.
Para a adaptação adequada ao ato de ler e escrever, é
preciso compreender, inserir se, avaliar, apreciar a escrita e a leitura. O
letramento compreende tanto a apropriação das técnicas para a alfabetização
quanto esse aspecto de convívio e hábito de utilização da leitura e da escrita.
A criança precisa ser alfabetizada convivendo com
material escrito de qualidade. Assim, ela se alfabetiza sendo, ao mesmo tempo,
letrada. É possível alfabetizar letrando por meio da prática da leitura e
escrita. Por isso, é necessária a prática social da leitura que pode ser feita,
com o jornal, que é um portador real de texto, que circula informações, ou com
a revista ou, até mesmo, com o livro infantil.
Para letrar, é preciso
saber que há distinção entre alfabetização e letramento, entre aprender o
código e ter a habilidade de usá-lo. Ao mesmo tempo em que é fundamental
entender que eles são indissociáveis e têm as suas especificidades, sem graduação
ou qualquer cronologia: pode-se letrar antes de alfabetizar ou o contrário.
2 APROPRIAÇÃO
DO SISTEMA DA ESCRITA
Uma
observação interessante é a possibilidade de uma pessoa ser alfabetizada e não
ser letrada e vice-versa. No Brasil as pessoas não lêem. São indivíduos que
sabem ler e escrever, mas não praticam essa habilidade e alguns não sabem sequer
preencher um requerimento. Este é um
exemplo de pessoas que são alfabetizadas e não são letradas. Há aqueles que
sabem como deveria ser aplicada à escrita, porém não são alfabetizados.
No
universo infantil a criança, sem ser alfabetizada, finge que lê um livro. Se
ela vive em um ambiente literário, vai com o dedo na linha, e faz a narração da
leitura, até com estilo. Ela é apropriada de funções e do uso da língua
escrita.
CONTEXTO SOCIAL
Nunca é demais lembrar que, no Brasil, somos extremamente desiguais em
relação ao acesso à escrita. A língua escrita é uma barreira que exclui muitas
pessoas. Esse fato aumenta ainda mais a responsabilidade da escola em formar
leitores; se ela fizer somente isso, já estará fazendo muito. Ou seja: a escola
deve formar um leitor-cidadão que, pelo domínio da leitura, continuará
aprendendo por si mesmo, independentemente do professor; saberá utilizar a
língua escrita para se fazer ouvir em várias situações de vida; terá capacidade
para se situar criticamente em qualquer tipo de situação. Enfim, a leitura é
essencial para não continuarmos no silêncio ao que por vezes somos reduzidos. A
escola tem que dar ao aluno as formas para que ele continue aprendendo autonomamente,
no seu ritmo, a partir dos seus interesses, lendo aquilo que precisa. Isso é
difícil porque a escola trabalha com programas e currículos voltados a um aluno
médio.
Trazer os interesses individuais é impossível, se pensarmos apenas em termos
de currículos escolares, de programas que têm que ser cumpridos, sem nos
importarmos se o aluno entendeu, se ele leu ou não leu. Causa espanto o porquê
de um aluno não entender a palavra escrita, já que ele entende tão bem a
oralidade, percebendo e fazendo relações significativas quando assiste a
novelas, quando conversa com os pais ou com os amigos. Ele é capaz de tecer
relações entre diversos assuntos, mas é absolutamente incapaz de fazer isso
quando a linguagem está impressa escrita. Ele consegue deduzir sobre seu mundo
a partir do que ele sabe, mas, quando se trata de fazer inferências com base em
pistas lingüísticas que estão escritas, não consegue fazer nenhuma; ele não
compreende.
A leitura tem sido considerada
uma atividade cognitiva por excelência. Isto porque ela envolve os processos
mentais para inferir, para usar conhecimentos com o objetivo de entender, para
perceber elementos em jogo numa situação e assim sucessivamente. Do ponto de
vista cognitivo, a leitura exige que todas as competências, que todas as
capacidades sejam acionadas para a compreensão de um texto. O aluno precisa
utilizar o raciocínio dedutivo para ler nas entrelinhas; ele precisa usar o
raciocínio indutivo para predizer, para antecipar o que será dito; ele precisa
fazer relações; todas são capacidades que um leitor aciona quando está
lendo.
Considerando a
leitura enquanto atividade cognitiva, que envolve processos mentais complexos,
todo professor é um professor de leitura pois a aprendizagem e desenvolvimento
cognitivo do aluno é tarefa de todos. Todo professor é professor de leitura,
não no sentido de um professor analista de texto, mas no sentido um professor
que vai ajudar o aluno a desenvolver estratégias cognitivas de leitura,
estratégias de abordagem de textos, que serão diferentes segundo a atividade
que o professor propõe em sala de aula. Conforme o objetivo do professor, o
aluno vai ler porque o professor lhe mandou ou porque realmente percebeu algum
objetivo que lhe dissesse respeito.
Depende da atuação
do professor levar o aluno a se engajar de fato na leitura ou apenas passar o
olho, sem saber o que está acontecendo; a realizar uma auto-avaliação constante
enquanto lê – para saber se está entendendo ou não o texto. Enfim, a formação
do leitor depende crucialmente da maneira pela qual o professor aborda a
leitura e do tipo de trabalho que desenvolve junto aos seus alunos. Vivemos
em uma sociedade em que a "letra", isto é, a escrita está por toda
parte e as pessoas têm que "se virar" no seu cotidiano, independentemente
de saberem ler ou escrever, independentemente de terem freqüentado uma escola.
Portanto há muitas pessoas, chamadas analfabetas, que são "letradas",
embora não tenham sido escolarizadas. Como vivem em contato com a escrita,
tomam ônibus, manuseiam dinheiro, etc., "lendo", mediadas pelas
cores, pelos algarismos, e até pelas letras.Por isso "letrar-se", um
processo que acontece na escola, na igreja, no sindicato ou em outras
instituições, é um conceito mais amplo que alfabetizar-se, que se dá, sistematicamente,
na escola. É o que se chama de escolarização. Mas nem sempre o nível de
escolarização corresponde ao nível de letramento. Nesse sentido, pode-se dizer
que há diferentes níveis de letramento, como há diferentes níveis de
escolarização.
CONCLUSÃO
Para que a leitura se
torne social, é preciso incluir novos materiais como jornal, revista, livro e
todo o material que for encontrado. Não é possível ensinar a ler e escrever, ou
qualquer coisa em educação, sem um método. Há poucos livros de alfabetização
que tenham uma organização metodológica para orientar professores e crianças
envolvidos neste processo de aprendizagem.
Um grave problema é que há
pessoas que se preocupam com alfabetização sem se preocupar com o contexto
social em que os alunos estão inseridos. Não adianta alfabetizar se os alunos
não têm dinheiro para comprar um livro ou uma revista. A escola, além de
alfabetizar, precisa dar as condições necessárias para o letramento.
É raro nos depararmos com
um aluno que não está sequer alfabetizado. Então, nesses casos, vamos continuar
com o nosso programa de leitura dos clássicos ou vamos alfabetizar e ler para
os alunos, a fim de seduzi-los para a leitura? A leitura e a aprendizagem se
constituem mutuamente. Por isso que a leitura é essencial - uma vez ensinado
esse instrumental para os alunos, eles terão a possibilidade de continuar
aprendendo, de acordo com os seus próprios objetivos, interesses, ritmos de
aprendizagem.
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